Marta Hurst, Haro Rioja Voley




Qual o impacto que esta epidemia está a ter na tua vida..Tanto a nível pessoal, como a nível desportivo?

Inicialmente a Federação Espanhola de Voleibol decidiu realizar os dois últimos jogos da fase regular do campeonato à porta fechada. Mas em menos de 30h a competição passou de ser realizada com restrições para ser totalmente cancelada. Foi um choque muito grande para nós enquanto equipa, e claro para mim a nível individual também, pois tinha esperança de poder jogar os playoffs (primeira vez na minha carreira em Espanha) após estes dois últimos jogos. Já estávamos matematicamente apuradas, e estes dois jogos serviam apenas para ver em que lugar ficávamos e contra quem iríamos jogar os quartos-de-final do campeonato. É uma situação que nos faz sentir muito impotentes e frustrados, pois o trabalho de uma época parece que foi em vão.A nível profissional é muito difícil de gerir esta situação inesperada e completamente nova, e obviamente que a nível pessoal me faz questionar se os sacrifícios compensam o esforço realizado. Mas com mais calma e dando alguns passos atrás, posso agora ver que apesar do final inesperado, a época foi muito positiva para mim a nível individual, tanto desportiva como pessoalmente.


Estar fora do País...


Como a situação evoluiu tão rápido, e em simultâneo o local onde vivo (Haro, La Rioja), foi um dos principais focos do país antes do crescimento exponencial que houve em Madrid, sair de um sítio de risco para ir para Portugal, que até agora tem conseguido gerir a situação, não fazia sentido. Por mais que queira estar perto da minha família, os meus pais têm mais de 55 anos e a minha mãe ainda ajuda o meu avô (que tem 92 anos).São grupos de risco e eu posso ter o vírus sem ter nenhum sintoma, portanto acho que faz parte da minha responsabilidade individual não entrar em contacto com pessoas, tendo em conta o contexto espanhol onde estou.



Que cuidados tens diariamente, o que tens feito para te manter ocupada nesta quarentena?

Essencialmente tento respeitar uma rotina diária de exercício físico e alimentação cuidada. Tenho ocupado o meu tempo também com uma aplicação para aprender um novo idioma, e visto vídeos de jogos meus durante a época para me estudar e melhorar sem realmente ir ao pavilhão. Acho que ter uma rotina de sono/despertar saudável ajuda muito a que o estar em casa 24h não seja algo tão frustrante.O descanso é muito importante, e o sair da cama ainda mais! Não me "culpabilizo" por ver várias séries ou filmes, faz parte do tempo livre que temos e considero uma forma de cultura. Tento ter contacto regular com familiares e amigos através de vídeo chamada, mas também se houver um dia que não falo com os meus pais, não nos vamos culpar por isso e ninguém se chateia com ninguém. Mas acima de tudo, todas as noites faço uma lista das coisas que quero fazer no dia seguinte. Acho que essa é a minha maior ajuda! Obviamente que vivendo com uma colega de casa o tempo não passa tão devagar, e fazemos o que podemos juntas, seja refeições como trabalho físico.


O que achas que vai mudar em "Nós" ou o que deveria mudar depois de tudo se dissipar?

Acho que a nível ambiental se poderia notar uma diferença muito grande, pois a poluição diminuiu muito com o isolamento/quarentena. Seria importante tentar manter esse tipo de equilíbrio e criar algumas restrições auto-impostas. Acho que as pessoas provavelmente vão sair desta situação mais resilientes, mais capazes de ajudar o outro e com mais compaixão. Pelo menos eu gostaria de sentir que a sociedade aproveitou uma situação negativa para se melhorar. Que o isolamento nos aporte qualidades emocionais e sociais, e que não nos torne menos capazes de interagir de forma positiva com outras pessoas. É um bocado como no Desporto, aproveitar um treino/jogo menos conseguido para querer melhorar logo no seguinte. Espero sinceramente que esta ferida que o COVID-19 está a criar no mundo sirva para que todos se juntem para a cuidar da melhor forma possível. Que no final seja uma cicatriz que nos relembre da nossa capacidade de superar algo juntos."


                                                                                                                Marta Hurst



Raparigas da Bola

© 2016 Raparigas da Bola, Portugal

DESIGUALDADE DE GÉNERO NO DESPORTO É EXPOSTANuma semana marcada pelo Dia da Mulher e pelas maiores conquistas portuguesas de sempre no europeu de atletismo, as notícias que se seguiram a estes dias evidenciam a diferença de importância dada à mulher no desporto.

Em geral, é preciso uma mulher ganhar uma medalha para que ela tenha destaque e mesmo quando isso acontece, a visibilidade não é das maiores, como foi visto esta semana.

Ser uma mulher no desporto não é fácil. A falta de visibilidade, a falta de patrocínios e a falta de interesse geram um ciclo que torna complicada a formação de atletas mulheres de ponta.

O grupo Raparigas da Bola luta para quebrar este ciclo, dando voz e visibilidade a atletas femininas, de diferentes modalidades desportivas.

Percebendo-se que no Dia da Mulher há uma tendência para falar sobre mulheres, mas que logo no dia a seguir tudo volta à triste normalidade, o grupo resolveu intervir, usando os próprios jornais desportivos como ponto de partida.

A iniciativa intitulada #ElasTambémJogam, consistiu em transformar todas as notícias publicadas nestes jornais, no dia 9 de março, num gráfico dividido em duas cores: uma para os homens e outra para as mulheres.

Esses gráficos transformaram-se em verdadeiros jornais, mas sem nenhuma foto ou texto, só as cores que evidenciam a diferença de atenção dada às mulheres. Os jornais foram entregues a jornalistas, inluenciadores e atletas para que estes amplificassem o alcance desta ação, ainda no dia 09.

O desejo do grupo não é confrontar os jornais, pelo contrário, é fazer deste um momento de reflexão para que todos se possam unir e dar mais visibilidade às mulheres no desporto, já que elas acreditam que a partir daqui é possível começar a mudar este ciclo de desigualdade. «Mais visibilidade gera mais interesse do público, que desperta interesses de marcas, que gera investimentos e consequentemente volta a gerar visibilidade.» relata Marta Faria, fundadora do Raparigas da Bola.

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