Sofia Moncóvio

Sofia Moncóvio,  Stuart HC  Massamá, 19 anos


Para quem não te conhece, quem é a Sofia?

A Sofia é uma jovem algarvia, da cidade de Lagos, nascida a 1 de dezembro de 1998, cuja maior paixão é o hóquei em patins desde os 3 anos. Está no terceiro ano da licenciatura em bioquímica na universidade de Lisboa. E é uma pessoa capaz de abdicar de muito para alcançar os seus objectivos, podendo ser muito teimosa e perseverante.


O Hóquei apareceu naturalmente ou foi segunda escolha?

O meu pai sempre foi jogador de hóquei e actualmente é árbitro oficial de hóquei em patins, basicamente nasci neste mundo, tendo começado a jogar logo muito cedo.


Fala-nos um pouco do teu percurso na modalidade.

Comecei esta modalidade no Roller Lagos, um clube com muita tradição na patinagem na minha cidade, foi o clube que me deu os patins para andar aos 3 anos de idade, tendo vestido esta camisola até aos 13 anos, onde passei a representar o Hóquei clube de Portimão, retornando a ''casa'' aos 15 anos para representar o Roller Lagos por um último ano, pois foi então que surgiu uma grande proposta e decidi arriscar tudo e fui viver sozinha para Lisboa, para poder passar a representar um dos melhores clubes a nível nacional, o Stuart Hóquei Clube de Massamá, clube este que ainda represento na data, e ao qual devo a minha grande progressão, tanto como jogadora como mulher. Sendo eu do algarve, uma zona com muito pouco hóquei, poucos clubes e pouca competitividade, sinto-me orgulhosa por ter chegado onde cheguei, ter feito as escolhas certas nos momentos certos, mesmo que isso implica ter deixado a minha família e amigos para trás aos 16 anos.


Deduzo que não seja nada fácil conciliar os treinos e os jogos com a vida de estudante...qual a maior dificuldade?

A maior dificuldade é sem dúvida definir prioridades, entre o que gostamos de fazer, e as nossas responsabilidades, o hóquei ocupa imenso tempo do nosso dia-a-dia, tanto os treinos, que chegam a acabar à meia-noite e a chegar a casa tardíssimo, para no dia a seguir ter de acordar cedo para ir para as aulas, como no fim-de-semana ter de fazer viagens longas para os jogos. Quando finalmente temos algum tempo e só queremos descansar, temos imenso trabalho da faculdade em atraso, e há muitos professores que não entendem, nem valorizam o esforço feito por atletas de alta competição, havendo muita pouca flexibilidade em termos de horários, sinto que o desporto é desvalorizado. E depois deste campeonato da europa, todas nós que faltamos 1 mês às aulas, agora vamos ter de dar ''o litro'' para podermos conseguir passar a alguma das cadeiras.


Descreve-nos um pouco como se passou essa semana, até ao jogo do passado sábado...como era o ambiente na Seleção?

Esta foi a minha estreia na selecção nacional, não posso fazer nenhuma comparação relativa a outros anos, mas foi sem dúvida a melhor experiência da minha vida. Mas não foi só um trabalho de uma semana, mas sim de 1 mês que estivemos juntas a treinar duas vezes ao dia, com um espirito de equipa incrível, estávamos todas para o mesmo, ganhar, sem desvios de concentração. E quando chegou a derradeira semana, sentiu-se um grande apoio de todas, onde uma errasse a outra estaria lá para ajudar, ganhamos todos os jogos em conjunto, mais que uma equipa, fomos uma família.


E agora, o que pode mudar em 105 segundos?

Tudo, ou nada pode mudar. O hóquei é mesmo assim, imprevisível. Tanto pode acontecer a Espanha dilatar a sua vantagem, como pode o marcador manter-se exactamente igual, ou sermos nós as novas campeãs da europa, se marcarmos 2 golos. Não queremos ser irrealistas, é difícil, mas enquanto houver tempo, há esperança. E enquanto houver esperança há sempre tempo!


Jogar com as quinas ao peito é um peso tremendo, o que sentiste no teu primeiro jogo?

Há camisolas que pesam muito, e ainda me lembro quando vesti a camisola de treino da selecção nacional pela primeira vez num dos treinos de preparação, estava paralisada, ''consegui, estou aqui''. Mas vestir a camisola oficial, para o primeiro jogo oficial, foi sem dúvida inexplicável, é um orgulho poder lutar por esta nação, estamos a lutar por um país, algo muito maior que nós próprios.


Agora é continuar a trabalhar no Stuart e dar tudo à Seleção nas próximas chamadas. Quais os teus objetivos dentro da modalidade?

A minha prioridade ao longo da época é sem dúvida o meu clube, ao darmos tudo no próprio clube, involuntariamente estamos a trabalhar e a evoluir para uma eventual chamada para à selecção. O meu objetivo agora, é focar-me nos 105 segundos que faltam, porque claro ganhar um título de quinas ao peito será sempre um objetivo enorme. Em termos de clube, é conseguirmos a conquista das competições nacionais, principalmente o campeonato nacional, quanto a nível internacional, não seria demais ambicionar pela liga europeia.




Marta Faria, Raparigas da Bola