Renata Balonas, CH Carvalhos, 19 anos
Pergunta
da praxe...para quem não está tão atento ao Hóquei, explica-nos quem é a Renata.
A Renata é uma rapariga de 19 anos que respira hóquei em patins e joga com um grande amor à modalidade, tentando sempre conciliar da melhor forma os estudos com os treinos e jogos.
Em que altura e como, surge o Hóquei na tua vida?
O hóquei surge por volta dos 10 anos, numa altura em que a minha mãe e avó decidiram levar - me a experimentar um desporto para eu praticar... engraçado que me levaram a um treino de patinagem artística, sendo aí que nasce a minha paixão pelo hóquei em patins, visto que após o treino da patinagem começavam os escalões do hóquei e mal observei os jogadores todos equipados a entrar em ringue dirigi-me logo ao meu pai e disse lhe " é isto que eu quero praticar".
O que é o Hóquei para ti? O que é que este desporto tem que os outros não?
Para
mim o hóquei é uma das minhas maiores prioridades, não passa apenas por um
hobby mas sim uma grande paixão. Este desporto, para além de ser coletivo, ajuda a desenvolver o trabalho em equipa, exige também uma grande coordenação
entre patinagem e manuseamento do stick, capacidade de leitura de jogo e,
claro, o extremo contacto físico. O hóquei em patins é um desporto muito
rápido, intenso e imprevisível, tornando-o assim num desporto único. Penso que
é muito difícil alguém que veja hóquei ao vivo, não gostar do que vê, talvez
devido à espetacularidade e emoção que é vivida dentro dos pavilhões.
Se tivesses de te descrever como jogadora, seria como?
Descrevendo-me
como jogadora, diria que sou uma jogadora com raça, determinada e empenhada
naquilo que faço, tento sempre dar o meu melhor e estar a 100%.
Para além disso, diria também que sou uma atleta que nunca desiste de nada
(tenho uns pais que me fizeram lutar sempre contra todas as adversidades),
acredita muito e tenta ajudar e motivar a minha equipa, tanto dentro como fora
de ringue.
Neste
momento és jogadora do CH dos Carvalhos, mas já passaste por outros clubes. Até
onde queres chegar com o Hóquei?
Tudo
começou no Grupo Desportivo e Coral de Fânzeres, onde comecei a dar os
primeiros passos e aprendi muito com vários treinadores que tive, tanto para a
vida desportiva como para a vida pessoal. Guardo todos os clubes onde passei no
meu coração. Trabalhei sempre para jogar ao mais alto nível, neste momento
estou focada e comprometida com o Clube Hóquei dos Carvalhos, mas nunca se sabe
o que o futuro nos reserva.
O que
é que o Hóquei te "roubou" e o que é que já te "deu"?
De um
modo geral, um desportista que tem objetivos de chegar longe, tem de se privar
de fazer certas coisas que são normais para pessoas da minha idade, como por
exemplo festas de aniversário, saídas, vida académica, viajar, etc, devido a
treinos e jogos. São sacrifícios que faço em prol das minhas ambições, o que
faz com que não os veja realmente como sacrifícios, mas sim como forma de estar
sempre bem física e mentalmente. Apesar disto, acabar um treino, um jogo com o
sentimento de dever cumprido é bastante satisfatório. Já recebi muitas
alegrias, tristezas, conheci pessoas incríveis, vesti a camisola da Associação
de Patinagem do Porto, da nossa Seleção... não há nada mais gratificante para
um desportista que ver que o seu trabalho e esforço estão a ser recompensados.
Apesar
de bastante jovem, podemos dizer que já tens alguma experiência em competições
internacionais ao serviço da Seleção. Descreve-nos um pouco como foi a primeira?
A primeira vez que fui chamada a pertencer ao
lote das 10 jogadoras que iriam representar a nossa nação tinha 17 anos e íamos
competir no Campeonato do Mundo em Iquique, Chile. Foi também a primeira vez
que iria fazer um voo intercontinental e viajar para outro país, o que me
suscitou alguma ansiedade. Foi uma experiência marcante (pela positiva) na
minha vida, porque para além de ser a primeira vez a carregar Portugal ao
peito, cada dia que passava aprendia algo novo com todo aquele ambiente e todas
as pessoas que me rodeavam (treinadores, colegas de equipa, etc). Para além
disto, conseguimos ser Vice Campeãs do Mundo, atingindo o 2º lugar e perdendo
em golo de ouro no prolongamento, depois de uma grande garra portuguesa que
estava a perder 2-0 e empata o jogo para 2-2. Concluindo, foi uma experiência positiva.
É inevitável falar do assunto e daquele jogo "sem fim". Sabemos agora que o minuto em falta terá de ser jogado. Qual é o sentimento que aquele "fim" abrupto vos deixou enquanto equipa e a ti em particular?
Foi
um momento a nível desportivo que nunca na vida me passou pela cabeça que
poderia acontecer, mas tal como diz o velho ditado, nada acontece por acaso.
Após o "término" do jogo, não tínhamos noção do que se estava a
passar, foi um misto de emoções; depois, num ambiente mais calmo, percebi que o
sentimento era mútuo - havia a sensação de um ciclo incompleto e confuso, pois
todas nós estávamos a trabalhar jogo a jogo, para quando chegasse sábado, por
acaso o dia decisivo, houvesse um fim nesta longa jornada.
E a
motivação para o que falta? Está sempre presente?
Não há
nada mais motivador que vestir a camisola das quinas e pertencer à equipa que
pode elevar o Hóquei em Patins Feminino Português! Tanto eu como todas as
minhas colegas estamos mais que motivadas!
Tendo estado presente, foi um orgulho enorme acompanhar todos os vossos jogos durante o Europeu. Um Pavilhão cheio, uma energia vibrante...o que sentiste quando entraram no ringue?
Quando
vi aquela moldura humana fiquei totalmente extasiada... saber que movemos aquela
população toda para nos verem e apoiarem foi algo inexplicável. Espero que, depois
deste Europeu, o Hóquei em Patins Feminino tenha tanto apoio e divulgação como
nós tivemos e que as bancadas estejam cheias, tal como presenciamos naquela
noite. O envolvimento do público no jogo foi mais que incrível, senti-me
"a verdadeira portuguesa a jogar em casa". Que estes 105 segundos que
vão ser jogados no dia 1 de
novembro
(feriado) tenham o mesmo impacto que aqueles 48 minutos e 55 segundos. Se tiver
de dizer numa palavra tudo o que senti naquele dia 13/10, seria
"único".
Agradeço o interesse em, mais uma vez, realçar o Hóquei em Patins Feminino e a mim como atleta! Sempre ao dispor para qualquer necessidade.
Obrigada!
Marta Faria, Raparigas da Bola