Margarida Florêncio, AA Coimbra, 21 anos


Começas a jogar aos 4 anos de idade e daí até aos dias de hoje, não mais largaste os patins. Podemos dizer que o Hóquei te acompanhou no crescimento enquanto mulher. Como começou esse "amor" e como foi o percurso até à Académica de Coimbra.

Começou por uma brincadeira de ir experimentar um desporto novo, o bichinho ficou desde então! Em 17 anos de hóquei, que posso dizer que foi a minha vida desde praticamente que me lembro e claro que me acompanhou bastante no meu crescimento. Vivi grandes momentos com grandes pessoas, vivi outros menos bons que me fizeram crescer e para mim o hóquei é sem dúvida um desporto muito especial. Passei pelos Lobinhos, Stuart e Benfica, cheguei a Coimbra por ser uma apaixonada por desporto e pelo espírito académico que aqui se vive, estou onde quero estar sem dúvida nenhuma.


Agora em Coimbra, estudas, treinas e jogas...e tempo para a família e amigos?

 Às vezes torna-se bastante complicado, quando nos dedicamos a um desporto e queremos continuar a nossa vida académica, alguma coisa por vezes fica mais condicionada mas tento sempre arranjar tempo para tudo.


Tens amizades para a "vida" feitas no Hóquei? 

Sem dúvida, em 17 anos posso dizer que criei amizades muito especiais que são para a vida, o bom do desporto é isso mesmo, as amizades.


Ainda há uns dias, quando comentava com alguém que tinha ido ver um jogo de hóquei feminino fui apanhada de surpresa quando me perguntaram " então, mas há hóquei feminino em Portugal?" É triste, mas é uma realidade. O que pensas sobre isto e o que achas que teria de mudar para a modalidade ser finalmente reconhecida e ter um lugar de destaque no País?

É uma luta que nós mulheres no hóquei sentimos, que temos de ter constantemente, ainda é um desporto muito machista, até a nível interno... Sendo assim é muito difícil conseguir abrir mentes e dar mais visibilidade ao nosso desporto. Abordando os masculinos, o hóquei em termos de visibilidade aumentou mas a nível feminino nunca se viu grandes progressos. O nosso pais está muito entranhado num desporto dito 'Rei'.


Vestir as nossas cores, ouvir o Hino tocar e "lutar" por um País. É o ponto alto de todos os atletas. Como foi para ti?

Quando iniciamos uma modalidade ambicionamos e sonhamos muito, todos os atletas sonham representar o nosso país. Ver a nossa bandeira hasteada e ouvir o nosso hino de quinas ao peito é sem dúvida algo único, é arrepiante!


De todas as chamadas à Seleção, qual delas te marcou mais, se é que é possível escolher...

Foi sem dúvida o último europeu, estávamos em casa, tínhamos o calor e o apoio do nosso público com pavilhão cheio, algo que é muito raro acontecer no hóquei feminino. Há uns anos atrás houve o europeu de sub-19 na Mealhada e lembro-me de sonhar um dia querer estar ali a jogar pelas quinas, ironia do destino que acabei por jogar exatamente no mesmo pavilhão.


Sendo assunto "inacabado", não podemos deixar de falar nele...O jogo "sem fim" como tem sido chamado. Como é que vocês, enquanto grupo, se preparam para um jogo deste nível, contra as atuais Campeãs da Europa? 

Estávamos bastante focadas, desde o início do estágio de preparação sabíamos que tinha de ser um trabalho duro e regular para chegarmos o mais longe possível jogo a jogo. Criámos um grupo fantástico, uma família e sabíamos que tínhamos um ponto a favor que era estarmos em casa!


Agora é esperar pela data, calçar os Patins e ir de novo à luta. O que pode mudar? 

 Há sempre algo a mudar e a melhorar, tive um treinador que sempre me dizia: "o difícil não é chegar ao topo, é manter-nos lá", temos de querer sempre mais!


E da Margarida, o que podemos esperar a nível desportivo?

Vou continuar a jogar pela a Académica de Coimbra, espero ajudar ao máximo a equipa e procurar chegar o mais longe possível em todas as competições que tivermos inseridas.


Continuação de um bom trabalho, por mais pessoas como tu Marta! As mulheres merecem! 



Marta Faria, Raparigas da Bola