Eva Faim, 19 anos, AF Arazede



Fala-nos de ti. Quem é a Eva?

Desde já agradeço a oportunidade de expor o meu ponto de vista sobre o hóquei femino. Sou de Cantanhede (Coimbra), tenho 19 anos e neste momento estudo Solicitadoria e Administração em Coimbra. Jogo hóquei em patins no AF Arazede, o clube a que posso chamar de casa. Tenho os meus objectivos todos muito bem definidos e pretendo fazer tudo o que estiver ao meu alcance para alcançá-los. Sou uma pessoa muito alegre e é raro dar a minha parte fraca. Tento ser sempre positiva e independentemente de tudo o que me possa dar motivos para desistir, persisto até obter o que procuro.


Como e quando surge o Hóquei na tua vida?

O hóquei surge na minha vida desde muito cedo. Tenho um irmão mais velho que jogava hóquei no mesmo clube onde eu comecei, o Arazede. Com 3 anos tive o meu primeiro par de patins e comecei a dar os primeiros passos com as 8 rodas sozinha, enquanto o meu irmão treinava. Na altura, a equipa feminina do clube era uma das maiores potências de hóquei feminino a nível nacional. Eu acompanhava todos os jogos e, deste modo, tornei-me a "mascote" e até cheguei a entrar na apresentação da equipa numa final da taça de Portugal. Assim começou a minha paixão por este incrível desporto.


Não é fácil conciliar tudo, pois não? Escola, treinos,jogos...

Esta é sem dúvida a parte mais complicada de qualquer desporto. Ter de optar entre descansar na noite anterior a um exame complicado ou ir treinar e espairecer um pouco. Optar também por deixar de sair à noite para ir treinar e fazer uma boa semana de treinos, como muitas outras coisas. Todos os atletas, amadores ou profissionais têm de fazer escolhas e não é "só um treino" como os outros pensam. É menos um treino.


É uma paixão para a vida? Como tem sido o teu percurso?

É de certo uma paixão para a vida. O desporto é para mim uma boa forma de entretenimento, mas o hóquei vai-me sempre fazer vibrar mais do que qualquer outro. O meu percurso começou no Arazede, com 5 anos até aos 9. Depois estive 2 anos num clube que já não existe que era o Lagonense FC. Estes dois anos foram muito importantes para a minha formação, pois tive dois excelentes treinadores: João Valente, que neste momento é treinador adjunto da equipa sénior do Sporting; e Neuza Pebre que representou a Selecção portuguesa durante algum tempo. Neste pequeno clube em que eu era a mais nova, conseguimos passar aos nacionais. Depois desses dois anos, voltei ao Arazede. Aos 15 anos deixei de jogar com os rapazes e entrei na equipa sénior que no ano a seguir viria a acabar por falta de atletas, o que me fez ir para o HC Mealhada onde joguei durante uma época pois, mais uma vez, a equipa acabou por falta de atletas. Contudo, juntando algumas ex-atletas do HCM e outras do AFA, conseguimos refazer uma equipa em Arazede para onde voltei e, até ao momento, não tenciono  sair. 


Como vês o crescimento da modalidade no nosso País?

O hóquei tem conquistado o seu lugar, mas apenas no masculino. O feminino continua a ser muito desvalorizado e sem valorização torna-se muito complicado o crescimento de qualquer modalidade.


O que achas que teria de melhorar para existirem cada vez mais meninas a praticarem e mais clubes a apostarem no feminino?

Há um estereotipo muito grande com o facto de o hóquei ser violento por causa de utilizarmos o stick, mas o hóquei é tão violento como, por exemplo, o futebol. As lesões aparecem com a mesma frequência. Por esta razão diz-se que este é um "desporto de homens", mas as mulheres são tão capazes de o jogar como os homens. Uma medida que tem dado visualização do hóquei feminino foi a criação de uma equipa feminina no Benfica, pois os adeptos desse clube interessam-se pelos títulos conquistados pela equipa e apoiam a mesma. Se mais clubes com as mesmas condições do Benfica criassem equipas femininas e apostassem também na formação de atletas do sexo feminino, não só no clube mas também criando parecerias com clubes com menos condições, seria possível a elevação do nível do hóquei feminino, pois muitas de nós, atletas, jogamos por paixão o que acaba por nos custar muito tanto monetariamente como fisicamente.


Marta Faria, Raparigas da Bola