Beatriz Campos Figueiredo, AA Coimbra, 21 anos
Fala-nos de ti. Quem é a Beatriz?
A Beatriz é uma rapariga natural de Viseu, nascida a 31 de maio de 1997. Está no 4º ano de Direito da Universidade de Coimbra, sendo que joga também nesta cidade há já 4 anos, integrando o plantel da Associação Académica de Coimbra. Alguns acham-na reservada e outros extrovertida! A nível do hóquei é uma pessoa cheia de vontade de ultrapassar os mais variados obstáculos, sempre com grande sentido de responsabilidade e sacrifício.
Como e quando surge o Hóquei na tua vida?
As minhas irmãs mais velhas jogavam hóquei, no Hóquei Clube de Viseu, e sempre as acompanhei para todos os jogos e adorava vê-las jogar! Certo dia, tendo eu os meus 4 anos, a minha irmã mais velha, sendo professora de patinagem na altura, leva-me a experimentar. A partir daí foi uma paixão desmedida, só queria que chegassem os dias em que tinha treinos. E como a minha mãe sempre foi fazendo parte da direção do clube, passava os meus dias todos praticamente lá e ainda hoje é uma verdadeira casa para mim, por isso pegava numa e bola e stick e bastava para ficar satisfeita!
Não é fácil conciliar tudo, pois não?
Não é propriamente fácil, mas as pessoas pensam, geralmente, que é mais difícil do que realmente é. Costumo dizer que quanto mais tempo temos ocupado, melhor o gerimos. Sempre estive habituada a ter pouco tempo por causa do hóquei e acabo por geri-lo da melhor forma. Agora, não vou mentir, na faculdade torna-se muito complicado. Não propriamente a nível de clube, porque os treinos até servem para uma pessoa desanuviar depois de um dia intenso de estudo, e acaba por ser a melhor parte do dia, mas quando temos estágios da seleção em alturas de aulas (como foi o caso deste último), ou quando coincidem com algum momento de avaliação (que também já aconteceu), é muito difícil de conciliar, não minto. Mas quem corre por gosto não cansa e com a dedicação certa tudo se acaba por resolver!
É uma paixão para a vida? Como tem sido o teu percurso?
Sem dúvida, é muito isso que acaba por nos mover e não desanimar em certos aspetos. Se não fosse paixão, muitas de nós provavelmente já tinham desistido. Isto porque o hóquei, e em particular o feminino, não é visto pelas pessoas da forma que, na minha ótica, deveria ser. É uma modalidade tão interessante que devia ser mais acarinhada pelas pessoas em geral. Já passei por 4 clubes (dentro deles ACR Gulpilhares e ADSanjoanense, ainda não referidos), 2 seleções distritais (Aveiro e Porto) e uma seleção nacional. Aprende-se muito quando passamos por tantas equipas, tanto a nível técnico, como a nível pessoal. Devo muito a todas as pessoas que se envolveram no meu percurso e me ajudaram a ser a jogadora e pessoa que sou hoje.
Jogas pela Académica de Coimbra, onde também estudas. Ouvimos muitas vezes falar no espírito da "Briosa". É algo que se sente também no Hóquei, na vossa equipa?
Sem dúvida. A nossa equipa é espetacular e orgulho-me muito daquilo que fazemos. Todas nós temos uma grande amizade e cumplicidade que depois se transpõe para o campo, que faz com que joguemos pelo prazer de jogar, que é o que nos move, e com o gosto de fazer sempre melhor e de nos ajudarmos umas às outras. É um espírito incrível, e ainda bem que assim o é, porque estamos todas para o mesmo: conseguir alcançar os objectivos traçados, sempre em equipa.
Mas o ponto mais alto é sem dúvida a Seleção. Como foi este mês em que estiveram todas juntas? Entre treinos e jogos, há tempo para criar laços?
Claro, é inevitável. O mês em que estamos em estágio é como se fosse um pequeno "retiro" onde o mundo exterior durante aquele mês parece que não existe. Estamos focadas e determinadas a fazer o nosso melhor e estamos literalmente sempre juntas, por isso, claro que criamos laços e, ainda bem, porque só melhoramos como equipa. É importante a amizade entre nós, e penso que isso se notou mesmo dentro de campo, o apoio e a entreajuda que cada uma dá à colega, que muitas vezes não se vê, e nós ali somos verdadeiramente uma equipa.
E vão voltar já dia 1 de Novembro para disputar os 105 segundos que faltam. O que pode mudar nesse dia? Tudo é possível?
Só é impossível o que nós ditamos que é. Embora seja difícil, se formos com a garra e o pensamento certo, o dia 1 de novembro poderá ficar na história e ser o melhor dia das nossas vidas. Está nas nossas mãos, e o hóquei, sendo o desporto que é, o tempo restante é mais que suficiente para o que é necessário para ganharmos. Todas nós estamos para o mesmo e com o mesmo pensamento. Cada uma de nós vai dar o máximo e jogar aqueles 105 segundos como se fosse o ultimo jogo da nossa vida.
Marta Faria, Raparigas da Bola